O Observatório Nacional foi contemplado com R$ 8 milhões no edital ProInfra 2025 Expansão, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para implantar um centro de inteligência artificial voltado às pesquisas em astronomia e geofísica. O anúncio foi publicado em 3 de setembro de 2026 e apresenta a iniciativa como uma infraestrutura de uso compartilhado para pesquisadores de diferentes instituições brasileiras.
Batizado de Centro de Inteligência Artificial em Ciências do Observatório Nacional (CIAC-ON), o projeto prevê a instalação de um cluster de computação de alto desempenho baseado em unidades de processamento gráfico, conhecidas pela sigla GPU. Esses equipamentos são utilizados para executar cálculos complexos e treinar modelos de inteligência artificial em grandes volumes de dados.
De acordo com o Observatório Nacional, a estrutura deverá funcionar em regime multiusuário. Na prática, pesquisadores de universidades e centros de pesquisa de todo o país poderão solicitar acesso aos recursos, seguindo regras de seleção de projetos e utilização da capacidade computacional.
Infraestrutura para astronomia e geofísica
O centro será direcionado a problemas científicos que dependem do processamento de grandes conjuntos de informações. Na astronomia, uma das aplicações previstas é a classificação automática de objetos celestes, atividade que pode ajudar a organizar dados obtidos por levantamentos observacionais de larga escala.
O CIAC-ON também deverá apoiar a detecção de fenômenos transitórios, a busca por exoplanetas e a análise de curvas de luz. Essas tarefas exigem o exame de grandes quantidades de registros e podem se beneficiar de modelos capazes de identificar padrões, mudanças e sinais que seriam mais difíceis de localizar exclusivamente por métodos convencionais.
Na área de geofísica, a infraestrutura poderá ser utilizada no processamento de dados sísmicos e em modelos voltados à compreensão do subsolo e de fenômenos relacionados à dinâmica da Terra. O projeto também foi planejado para apoiar iniciativas científicas como J-PAS, LSST/Vera Rubin, PLATO e Euclid, que produzem ou dependem de grandes volumes de dados para suas investigações.
Acesso compartilhado e formação de pesquisadores
Além da compra de equipamentos, a proposta tem uma dimensão de política científica. Segundo o Observatório Nacional, o centro pretende reduzir desigualdades no acesso a recursos computacionais avançados, especialmente entre grupos emergentes e pesquisadores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O modelo multiusuário permite concentrar uma infraestrutura de maior capacidade em um ambiente que pode atender projetos de diferentes instituições. Com isso, pesquisadores que não possuem equipamentos próprios de alto desempenho poderão concorrer ao uso do sistema conforme os critérios definidos para o CIAC-ON.
A iniciativa também prevê a formação de recursos humanos em inteligência artificial aplicada às Ciências da Terra e do Universo. O objetivo é ampliar não apenas a capacidade de processamento disponível no país, mas também o número de profissionais preparados para desenvolver e aplicar métodos computacionais em pesquisas científicas.
Projeto ainda depende da etapa de contratação
Na data de divulgação do anúncio, o projeto ainda estava em fase de contratação pela Finep. O resultado oficial da etapa de habilitação do edital registra a proposta CIAC-ON — Centro de Inteligência Artificial em Ciências do Observatório Nacional entre as iniciativas habilitadas no ProInfra 2025 Expansão, conforme documento publicado pela Finep.
O Observatório Nacional informou que o projeto ficou em terceiro lugar no resultado final do edital e recebeu os recursos para a aquisição da infraestrutura computacional. A previsão apresentada pela instituição é que os equipamentos sejam comprados e instalados nos meses seguintes, com entrada em funcionamento até junho de 2027.
Se o cronograma for cumprido, o CIAC-ON deverá se tornar uma estrutura nacional dedicada ao uso de inteligência artificial em áreas estratégicas da ciência. O centro reunirá capacidade computacional, acesso compartilhado e formação especializada para apoiar estudos sobre o Universo e sobre a Terra, conectando demandas de pesquisa de diferentes regiões do Brasil.
