Bloco testa em 2026 uma alternativa de liquidação em moedas locais, inspirada no Pix brasileiro, para reduzir dependência do dólar.
O comércio entre os países do BRICS ultrapassou a marca de US$ 1 trilhão, movimentando US$ 234,8 bilhões apenas com o Brasil em 2025. Diante desse volume crescente, o bloco avança agora para testes mais concretos de um sistema próprio de pagamentos transfronteiriços, batizado de BRICS Pay, que usa blockchain para viabilizar transações instantâneas em moedas locais.
O BRICS Pay é inspirado diretamente no modelo de sucesso do Pix brasileiro, buscando permitir transações instantâneas entre os países membros sem depender da compensação tradicional via dólar americano. A proposta usa tecnologia blockchain para garantir a liquidação das operações em moedas locais, reduzindo custos e o tempo necessário para fechar transações comerciais entre empresas de diferentes países do bloco.
Enquanto 2025 foi um ano de estruturação técnica da proposta, 2026 deve trazer os primeiros testes mais concretos da iniciativa. A chamada Força-Tarefa de Pagamentos do BRICS já avançou nas definições sobre interoperabilidade do sistema, considerada prioridade estratégica do grupo desde a declaração assinada pelos líderes durante os encontros realizados no Rio de Janeiro em 2025.
O papel dos bancos centrais na condução do projeto
Os ministros das finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países membros foram encarregados de continuar as discussões sobre a chamada Iniciativa de Pagamentos Transfronteiriços do BRICS, reconhecendo o progresso alcançado pela força-tarefa responsável por identificar caminhos possíveis para ampliar a interoperabilidade entre os diferentes sistemas de pagamento nacionais do bloco.
Nesse contexto, o Brasil ocupa posição relevante, já que o Banco Central acumula experiência tanto com o Pix, hoje uma referência internacional em pagamentos instantâneos, quanto com o Drex, moeda digital ainda em fase de testes, mas que também carrega entre seus objetivos de longo prazo facilitar transações internacionais e reduzir a burocracia cambial entre países.
O papel da Índia e os próximos passos
A Índia deve assumir papel central na condução do bloco em 2026, sediando a 18ª Cúpula do BRICS, evento que tende a concentrar boa parte das discussões sobre o andamento técnico do sistema de pagamentos. A expectativa é que o encontro traga atualizações concretas sobre os testes realizados ao longo do ano e sobre o cronograma para uma eventual implementação mais ampla do BRICS Pay entre os países membros.
Especialistas em economia internacional recomendam cautela ao interpretar o avanço do projeto: embora o sistema tenha potencial para reduzir a dependência do dólar em transações comerciais entre os países do bloco, a construção de uma infraestrutura de pagamentos internacional totalmente funcional costuma ser um processo longo, que envolve não apenas tecnologia, mas também acordos regulatórios e políticos entre economias com sistemas financeiros bastante diferentes entre si.
Para quem acompanha de perto o desenvolvimento da moeda digital brasileira, o avanço do BRICS Pay funciona como uma referência importante do que pode vir a ser um sistema de pagamentos internacional baseado em tecnologias digitais e blockchain, ainda que o Drex, em sua fase atual, esteja com escopo mais restrito, voltado principalmente à reconciliação de garantias de crédito dentro do sistema financeiro nacional, e não à circulação internacional da moeda.
Fontes:
BRICS atinge marco trilionário em comércio, Revista Fórum
https://revistaforum.com.br/global/brics-atinge-marco-trilionario-em-comercio-e-sistema-de-pagamentos-pode-se-tornar-realidade-em-breve/
