O envelhecimento feminino tem características específicas que a medicina e a sociedade ainda aprendem a reconhecer e a atender de forma adequada. O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, com ampla expertise na área e fundador do projeto social Humaniza Sertão, encontra nas comunidades do sertão cearense um retrato vívido dessa realidade, e o projeto tem atuado de forma sensível e comprometida para responder a ela.
A mulher idosa acumula, com frequência, uma dupla vulnerabilidade: a que vem da idade e a que resulta de décadas de priorização do cuidado dos outros em detrimento do próprio. Neste artigo, você vai entender as especificidades do envelhecimento feminino, os desafios de saúde que afetam desproporcionalmente as mulheres idosas e como o cuidado humanizado pode transformar essa experiência. Acompanhe!
Quais são as especificidades do envelhecimento na mulher?
O envelhecimento feminino é marcado por transições fisiológicas que têm impacto profundo sobre a saúde e o bem-estar da mulher. A menopausa, que ocorre em média aos 50 anos, inicia um conjunto de mudanças hormonais que afetam a saúde óssea, cardiovascular, cognitiva e emocional. Ademais, a redução do estrogênio aumenta o risco de osteoporose e fraturas, eleva a vulnerabilidade a doenças cardiovasculares e pode contribuir para sintomas de ansiedade e depressão que persistem na terceira idade.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, a saúde óssea merece atenção especial no cuidado à mulher idosa. A osteoporose, muito mais prevalente em mulheres do que em homens, é uma condição silenciosa que só se manifesta clinicamente quando ocorre uma fratura. E as fraturas no idoso, especialmente as de quadril, têm consequências devastadoras para a autonomia e para a expectativa de vida. Portanto, a prevenção é fundamental.
Como o Humaniza Sertão atende às necessidades específicas das mulheres?
O perfil das comunidades atendidas pelo Humaniza Sertão revela uma presença significativa de mulheres idosas que vivem em condições de alta vulnerabilidade. Muitas são viúvas, chefes de família na terceira idade, cuidadoras familiares, e acumulam responsabilidades que raramente deixam espaço para que cuidem de si mesmas. O projeto reconhece essa realidade e busca criar um espaço de atendimento que seja acolhedor para essas mulheres.
A equipe multidisciplinar do projeto está preparada para oferecer um cuidado que considera as especificidades femininas em cada área de atuação. Como os nutricionistas que orientam sobre as necessidades específicas de cálcio e vitamina D para a prevenção da osteoporose. Como os fisioterapeutas que desenvolvem programas de exercício que fortalecem a musculatura e reduzem o risco de quedas e fraturas. E também os psicólogos que acolhem as demandas emocionais específicas das mulheres que envelhecem com múltiplas responsabilidades e pouco suporte.

De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, cuidar da mulher idosa é também cuidar das famílias ao seu redor. Na realidade do sertão nordestino, a mulher idosa frequentemente ocupa um papel central na estrutura familiar, sendo referência afetiva e prática para a comunidade. À medida que sua saúde é cuidada de forma adequada, os benefícios se irradiam por toda a rede de pessoas que dependem dela.
Por que a saúde da mulher idosa é frequentemente negligenciada?
Durante décadas, a medicina priorizou o estudo e o tratamento de doenças com base em populações predominantemente masculinas, deixando lacunas no conhecimento sobre como as condições de saúde se manifestam e respondem ao tratamento em mulheres. Yuri Silva Portela explica que esse viés histórico ainda produz efeitos que se traduzem em diagnósticos tardios e tratamentos inadequados para mulheres idosas.
Yuri Silva Portela explicita que há também um componente cultural específico que afeta especialmente as mulheres do interior do país. Criadas em contextos que valorizavam a abnegação e o sacrifício em nome da família, muitas mulheres idosas do sertão internalizaram a ideia de que cuidar de si mesmas é um ato de egoísmo. Elas adiam consultas, minimizam sintomas e colocam as necessidades de todos ao redor antes das suas próprias. Reverter essa crença é parte do trabalho do Humaniza Sertão.
Conforme destaca o fundador do projeto social Humaniza Sertão, cada atendimento do projeto é uma oportunidade de transmitir uma mensagem poderosa: sua saúde importa, você merece cuidado! Essa mensagem, quando internalizada pelas mulheres atendidas, tem o poder de transformar sua relação com a própria saúde com um ciclo importante e de iniciar um ciclo de autocuidado.
Cuidar da mulher idosa é cuidar do coração das comunidades
A mulher idosa é, em muitos contextos do interior brasileiro, o coração de suas comunidades. Ela carrega histórias, preserva tradições, mantém famílias unidas e oferece cuidado de formas que frequentemente passam despercebidas. Garantir que essa mulher receba o cuidado de saúde que merece é um investimento com retorno que se multiplica por toda a comunidade ao seu redor.
O Humaniza Sertão, com a liderança do doutor Yuri Silva Portela, reconhece esse valor e atua para que as mulheres idosas das comunidades do sertão cearense tenham acesso a um cuidado que as veja em sua totalidade, que respeite suas especificidades e que as trate com a dignidade que merecem. Esse compromisso é parte essencial da missão do projeto.
Valorize a mulher idosa na sua vida. Esse gesto de reconhecimento pode transformar completamente sua experiência de envelhecimento!
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
