Com o DREX em reformulação, o mercado privado acelerou a tokenização de imóveis, recebíveis e títulos. Entenda o fenômeno que está redesenhando o sistema financeiro.
A palavra tokenização saiu dos relatórios técnicos e entrou de vez na agenda financeira brasileira. Com o DREX em fase de reformulação pelo Banco Central, o mercado privado tomou a dianteira e transformou a tokenização de ativos reais em um dos segmentos que mais cresce no país. Quem ainda não ouviu falar do assunto provavelmente vai ouvir em breve, porque o impacto desse movimento começa a alcançar crédito, investimentos e até a compra de imóveis.
O mercado brasileiro de tokens de ativos reais cresceu 2.249% em um ano, atingindo R$ 2,876 bilhões em janeiro de 2026, segundo dados da CoinTelegraph Brasil e TradingView. Esse crescimento expressivo acontece enquanto o Banco Central ainda define os próximos passos do DREX, o que mostra que a tokenização não depende exclusivamente de uma moeda digital estatal para avançar. Ela já está acontecendo, nos bancos, nas fintechs e nas plataformas digitais que operam no Brasil. DeFin
O que significa tokenizar um ativo
Tokenizar um ativo é, em termos simples, transformar algo do mundo físico em uma representação digital rastreável e transferível. Um imóvel, uma cota de fundo de investimento, um recebível comercial ou um título de dívida podem ser convertidos em tokens, unidades digitais que registram a propriedade e permitem negociação em plataformas eletrônicas com muito mais agilidade do que os processos tradicionais.
O LIFT Learning publicou um relatório que aborda três dimensões da tokenização: aumento de liquidez de ativos tradicionalmente ilíquidos, democratização do acesso a investimentos antes restritos a grandes players, e redução de custos operacionais na emissão e gestão de títulos. Na prática, isso significa que alguém pode investir em uma fração de um imóvel comercial sem precisar comprar o imóvel inteiro, algo que antes exigia capital elevado e intermediários custosos. DeFin
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, descreveu o objetivo da tokenização como a transformação do DREX em uma infraestrutura onde diferentes tipos de ativos, como imóveis, veículos, ações ou recebíveis, possam ser convertidos em tokens digitais e usados como garantias em operações financeiras, tornando o crédito mais acessível e inteligente. Mesmo que o projeto do BC esteja em reformulação, esse conceito já guia os experimentos do setor privado. Treeunfe
Quem lidera o mercado de tokens no Brasil
A XDC Network lidera o volume de ativos tokenizados no país, com R$ 2,68 bilhões em emissões, superando concorrentes como XRP Ledger, Polygon e Plume em volume total. Esses números refletem adoção real: empresas estão tokenizando recebíveis, cotas de fundos e títulos de dívida em redes descentralizadas, sem esperar pela infraestrutura estatal. DeFin
O setor bancário também não está parado. O Banco Safra lançou sua própria moeda digital pareada ao dólar americano, e o Itaú estuda emitir uma stablecoin atrelada ao real, dependendo do avanço da regulamentação prevista para este ano. Essas iniciativas mostram que o mercado entendeu a direção e começou a construir seus próprios caminhos, com ou sem o DREX no centro. Portal InfoDoT
A integração com o Open Finance é outro vetor de crescimento. A lógica é que dados abertos e padronizados sobre sustentabilidade, combinados com o Open Finance, vão influenciar decisões de crédito, permitindo que instituições financeiras que precificam risco climático de forma mais precisa ofereçam taxas melhores para empresas com boas práticas ambientais. A tokenização deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a ser uma ferramenta de política de crédito. DeFin
Riscos e desafios que ainda existem
Crescer 2.249% em um ano soa impressionante, mas o mercado de tokens de ativos reais ainda enfrenta desafios concretos. A regulação ainda está em construção, e a falta de padrões claros gera incerteza jurídica para quem emite e para quem adquire tokens. A custódia dos ativos tokenizados, ou seja, a guarda segura dos direitos que o token representa, é outra área que precisa amadurecer antes de ganhar escala com segurança para o investidor de varejo.
Especialistas apontam que a tokenização de ativos, conceito central do DREX, deve seguir em projetos paralelos e inspirar novos produtos integrados ao Pix e ao Open Finance. O ecossistema está se formando de baixo para cima, com bancos, fintechs e plataformas construindo peça por peça enquanto o Banco Central define a infraestrutura pública que vai sustentar tudo isso no longo prazo. Revistaespeciais
O que fica claro nesse momento é que a tokenização não é mais uma promessa de futuro distante. É uma realidade em expansão, com volume, participantes e casos de uso documentados. Para empresas e investidores que ainda não estão acompanhando esse movimento, o risco não é entrar cedo demais. É ficar para trás enquanto o mercado se reorganiza em torno de uma nova lógica financeira.
Fontes: DeFin Insights – DREX e tokenização | Portal InfoDoT – BC desliga DREX | Treeunfe – DREX como vai funcionar | Revista Especiais – Fim de uma era
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
