Pesquisa divulgada nesta semana mostra maior popularidade das criptomoedas entre brasileiros e reforça a necessidade de entender riscos, regulação e diferenças em relação ao Drex.
As criptomoedas ganharam um novo sinal de popularidade no Brasil. Uma pesquisa divulgada nesta semana, realizada pela Paradigma em parceria com o Datafolha, indicou que 17,2% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmam já ter investido em criptoativos, percentual superior ao registrado para CDBs, com 15,1%, e ações, com 7,4%. O levantamento também mostrou aumento do conhecimento sobre moedas digitais, enquanto Bitcoin e Ethereum permanecem entre os ativos mais conhecidos. Nesse cenário, o Drex, projeto de infraestrutura digital desenvolvido pelo Banco Central, também aparece entre os nomes mais lembrados pela população.
A notícia desperta uma dúvida importante: se as criptomoedas estão se tornando mais presentes na vida financeira dos brasileiros, o Drex é uma criptomoeda e funcionará como o Bitcoin? A resposta exige atenção, porque, embora os dois universos utilizem conceitos relacionados à digitalização e possam envolver tecnologias de registro distribuído, seus objetivos, emissão e funcionamento são diferentes. Para quem acompanha o futuro do dinheiro digital no Brasil, entender essa distinção se tornou ainda mais relevante com o avanço da regulação e a popularização das stablecoins e de outros criptoativos.
Por que as criptomoedas estão ficando mais populares no Brasil?
O crescimento da popularidade das criptomoedas não significa apenas que mais pessoas conhecem o Bitcoin. Segundo a pesquisa divulgada nesta semana, 66,4% da população afirma conhecer criptomoedas, avanço de 10,1 pontos percentuais em relação ao ano anterior. O levantamento também aponta que uma parcela expressiva dos brasileiros que já tiveram contato financeiro com criptoativos utilizou aplicativos bancários, e não apenas corretoras especializadas. Esse dado ajuda a explicar por que o mercado digital deixou de ser um tema restrito a plataformas de nicho e passou a aparecer dentro de ambientes financeiros já conhecidos pelo consumidor.
A ampliação do interesse, porém, não elimina os riscos. Criptoativos podem apresentar forte volatilidade, diferenças relevantes entre projetos e riscos operacionais relacionados à guarda das chaves de acesso, à segurança das plataformas e a fraudes. O fato de um ativo digital ser popular ou conhecido não representa garantia de estabilidade, rentabilidade ou proteção contra perdas. Por isso, uma notícia sobre o crescimento do mercado também deve ser lida como um alerta para a importância da educação financeira e digital, especialmente em um ambiente no qual novas empresas, tokens e serviços podem surgir rapidamente.
Outro fator que ajuda a explicar o interesse brasileiro é o peso crescente das stablecoins, moedas digitais que buscam manter referência em ativos ou moedas, como o dólar. Dados mencionados em reportagem publicada nos últimos dias apontam que, em 2025, o mercado brasileiro de criptoativos movimentou R$ 505,5 bilhões, com mais de R$ 360 bilhões relacionados a stablecoins. Esse movimento mostra que o debate sobre dinheiro digital já não está limitado à valorização ou à queda do Bitcoin. Ele também envolve pagamentos, transferências internacionais, tokenização e a integração entre plataformas digitais e o sistema financeiro tradicional.
Drex é criptomoeda? Entender a diferença ficou ainda mais importante
Apesar de aparecer no debate sobre moedas digitais, o Drex não deve ser confundido automaticamente com Bitcoin, Ethereum ou outros criptoativos negociados no mercado. O projeto do Banco Central está ligado à construção de uma infraestrutura para operações financeiras digitais e programáveis, incluindo possibilidades relacionadas à tokenização de ativos e à liquidação de transações. Já as criptomoedas possuem características variadas, mas, em geral, são ativos digitais que podem ter emissão descentralizada ou regras próprias, sem representarem uma moeda emitida pelo Banco Central brasileiro.
A diferença de finalidade é um dos pontos centrais. O Bitcoin, por exemplo, funciona em uma rede pública e possui dinâmica própria de emissão e negociação, com preço determinado pelo mercado. O Drex está associado ao sistema financeiro regulado e à atuação do Banco Central, com foco na modernização da infraestrutura financeira. Isso não significa que o Drex será simplesmente um “Pix novo” nem que substituirá automaticamente todas as formas atuais de dinheiro. O próprio debate em torno do projeto envolve questões técnicas, privacidade, segurança, regras de acesso e os modelos que poderão ser utilizados em aplicações futuras.
A pesquisa divulgada nesta semana é relevante justamente porque mostra que o brasileiro está passando a ouvir falar, ao mesmo tempo, de Bitcoin, Ethereum, stablecoins e Drex. São conceitos que pertencem ao universo mais amplo dos ativos e do dinheiro digital, mas não são equivalentes. Uma stablecoin privada atrelada ao dólar, por exemplo, depende da estrutura e das regras de seu emissor. Uma criptomoeda descentralizada pode funcionar sem uma autoridade monetária central. Já uma eventual infraestrutura baseada no Drex está inserida na arquitetura regulatória brasileira e vinculada às instituições autorizadas a participar do sistema. Para o leitor, a principal lição é evitar tratar qualquer ativo ou tecnologia digital como se todos funcionassem da mesma maneira.
Regulação e segurança: o que muda para quem acompanha o futuro do dinheiro digital?
O avanço da popularidade das criptomoedas ocorre em paralelo ao fortalecimento das regras para o setor no Brasil. O Banco Central vem detalhando a regulamentação aplicável aos prestadores de serviços de ativos virtuais, dentro das competências definidas para a autoridade monetária. O objetivo é estabelecer parâmetros para empresas que atuam no mercado, incluindo aspectos de autorização, funcionamento e supervisão. Esse movimento é importante porque o crescimento do interesse do público amplia também a necessidade de mecanismos que reduzam riscos relacionados à atuação de prestadores não adequados às exigências regulatórias.
A regulação, entretanto, não elimina todos os riscos de uma operação com ativos digitais. Mesmo em ambientes supervisionados, pode haver oscilações de preço, falhas tecnológicas, golpes de engenharia social e perdas decorrentes do uso inadequado de wallets e credenciais. Segurança digital continua sendo uma responsabilidade relevante para o usuário, principalmente quando a operação envolve a custódia direta de criptoativos. Também é fundamental verificar informações sobre empresas e plataformas, desconfiar de promessas de retorno garantido e entender as características do ativo antes de realizar qualquer operação.
Para o futuro do dinheiro digital no Brasil, a tendência é que diferentes modelos coexistam. O sistema financeiro tradicional, o Pix, iniciativas relacionadas ao Drex, a tokenização e os criptoativos privados podem atender a necessidades distintas e, em alguns casos, se conectar tecnologicamente. A popularidade crescente das criptomoedas mostra que o tema já alcançou uma parcela significativa da população. O desafio agora é fazer com que esse avanço seja acompanhado por informação clara, regras verificáveis e maior compreensão sobre as diferenças entre inovação tecnológica e segurança financeira.
O dado mais importante revelado pela pesquisa desta semana talvez não seja apenas o percentual de brasileiros que já tiveram contato com criptomoedas. A transformação está no fato de que o dinheiro digital passou a ocupar espaço crescente nas dúvidas cotidianas sobre investimentos, pagamentos, tecnologia e segurança. Nesse contexto, Drex e criptoativos representam caminhos diferentes dentro de uma mesma transformação financeira. Conhecer essas diferenças ajuda o brasileiro a interpretar notícias, identificar riscos e acompanhar mudanças regulatórias sem confundir inovação com promessa de ganho. À medida que o Banco Central desenvolve a agenda do Drex e o mercado cripto amadurece sob novas regras, informação verificável continuará sendo uma das ferramentas mais importantes para navegar pelo futuro digital das finanças no Brasil.
Fontes:
- InfoMoney — Pesquisa mostra que 29 milhões de brasileiros já tiveram criptomoedas
- Banco Central do Brasil — Live detalhou ações do BC no campo dos ativos virtuais
- Banco Central do Brasil — Próximas etapas da regulamentação dos criptoativos
- Banco Central do Brasil — Enquadramento prudencial para sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais
- Folha de S.Paulo — Criptomoedas ganham espaço no Brasil e superam ações e CDBs
